Projeto faz futuro tecnólogo vivenciar conceito de responsabilidade social
26/05/2008 – O projeto de Responsabilidade Social da Fatec Indaiatuba, implantado no 1º semestre de 2007, já caminha para completar um ano e meio de existência e não deixa dúvidas: veio para ficar. Idealizado pela professora Silma Carneiro Pompeo, dentro da disciplina de Humanidades, ele provocou uma ‘revolução’ em sala de aula e tem atraído a atenção até mesmo de outras instituições de ensino interessadas em implantar algo nos mesmos moldes do que é feito na Fatec Indaiatuba.
O projeto consiste em 20 horas de trabalho voluntário feito pelo aluno no semestre, em alguma instituição (abrigos, asilos, hospitais, ongs, programas de assistência, entre outros). Ao final da carga horária, o aluno entrega um relatório das atividades desempenhadas, assinado por um responsável pela entidade. Além do documento, também tem que relatar, em texto livre, a experiência vivida na entidade e suas impressões pessoais. Por último, o aluno tem que entregar um movie maker para apresentar em sala de aula – porque afinal de contas, o curso é de Tecnologia. Não raro, os alunos se emocionam com as histórias trazidas pelos colegas e compartilhadas em sala.

A aluna Natália da Silva Prado, que foi voluntária do Ciaspe (Indaiatuba)
de maio a junho do ano passado, posa com um dos assistidos pela instituição
Os relatos são ricos em emoção e transbordam informação, segundo a professora Silma. São prova inconteste de que o aluno incorporou o conceito de responsabilidade social. “Desde que o projeto foi implantado, são os alunos quem definem o que é o conceito de responsabilidade social. Antes, eu ficava ditando. O aluno escrevia, mas esquecia no semestre seguinte. Eu fui percebendo que a disciplina de Humanidades tinha que ser mais de ‘formação’ e não de ‘informação’, como vinha sendo feito”, conta a professora.
Ela lembra que a primeira turma ‘incumbida’ de fazer o trabalho, que é individual, contestou a tarefa. “Senti certa rejeição, mas à medida que eles foram fazendo, coisas muito boas aconteceram. Eles se empolgaram, alguns tiveram uma transformação bastante perceptível. Até o relacionamento comigo mudou. Até eu mudei”, diz Silma, que neste semestre, abriu mão de receber horas extras para a correção dos trabalhos. “Decidi que até meu trabalho neste projeto tinha que ser voluntário. Me isentei da obrigação de receber pelo tempo extra dedicado. É um trabalho que faço para mim, que eu adoro mesmo”, comenta.
Satisfeita, a professora acredita que atingiu o objetivo da disciplina. “Sinto que contribui para uma humanidade nos alunos, o que vai ao encontro de nossa missão, que é a de formar tecnólogos, porém, com uma visão humanística”, ressalta.
Exemplos
Nos muitos relatórios assinados, nos muitos textos escritos, o que não faltam são exemplos de vivências interessantes. Uma aluna escolheu fazer as 20 horas num asilo, porque não chegou a conhecer os avós. Em compensação, ‘ganhou’ vários, deu carinho e recebeu carinho em troca. Outro aluno, pai de três filhos, escolheu o Lar São Francisco de Assis, onde ficam crianças em situação de risco. Não conseguiu conter a emoção quando passava para a classe a experiência vivida, que modificou para sempre sua forma de encarar a infância abandonada.
E os casos são muitos. O aluno Wilton Cavalcanti, 23 anos, conta que optou por ser voluntário na própria Fatec, só que na Fatid (Faculdade da Terceira Idade), no curso de Informática. O resultado: passou a ter mais paciência em casa com o pai diante da dificuldade deste diante do computador.

Alunos da Fatec com membros do Ciaspe (Centro de Inclusão e Assistência
às Pessoas com Necessidades Especiais) de Indaiatuba
Stéfano Missorelli, 24 anos, atuou como voluntário no Lar da Criança Feliz, de Campinas, um abrigo que assiste a mais de 60 órfãos, do berçário até os 10 anos. A experiência ajudou a mudar uma imagem um pouco distorcida da assistência que Stéfano tinha, por conta de uma experiência passada. A instituição não escapou à visão crítica do futuro tecnólogo. “A administração é eficiente, mas peca na parte educacional. As crianças comem bem, brincam, são atendidas em suas necessidades físicas, mas não têm um acompanhamento pedagógico como deveriam ter”, opina. “Mas foi interessante ver como aquelas crianças, que não tem pais, não são revoltadas, vivem alegres. Eu não vivo na mesma realidade que elas, e a gente sempre acaba aprendendo um pouco com as crianças”, reflete Stéfano.
A aluna Juliana Silveira Barroso, 22 anos, também exercitou o olhar crítico com o trabalho. Ela escolheu trabalhar no Saae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) de Indaiatuba, em um setor onde cadastrava pessoas de áreas carentes para o envio de cartão do SUS. “Mudei minha visão. Eu também vim de uma realidade humilde, e achei que as pessoas carentes muitas vezes estão no ponto em que estão por não ‘correrem atrás’, por não lutarem para melhorar sua condição, em vez de ficarem estacionadas se aproveitando do assistencialismo”, diz Juliana.
Fotos: Reprodução
Luciene Santos Telli – Assessoria de Imprensa da Fatec-Indaiatuba