Professor da Fatec fala sobre Sociologia e Direito em livro

Mesmo tendo capítulo específico vetado, Criniti não poupa críticas ao judiciário

A declaração do entrevistado não reflete a opinião da instituição

12/06/08 – Quem assiste às aulas do professor Roberley Criniti na Fatec Indaiatuba logo percebe que ele é um eterno inconformado com o lado obscuro do capitalismo. Sem ‘papas na língua’, como ele mesmo gosta de afirmar, Criniti não tem receio de externar toda a sua indignação. Isso decorre de um forte perfil humanista, que transparece em suas aulas, onde o professor insiste na valorização dos detalhes quando o assunto é relações humanas.


Criniti, com o livro, que faz um estudo sintetizado na área jurídica com abordagem sociológica: leitura obrigatória
Foto: Luciene Santos Telli/AI-Fatec-id

Esta forte tendência humanista percorre as páginas de seu livro “Resumo Jurídico de Sociologia Geral e Sociologia Jurídica” (Editora Quartier Latin, 2006), da coleção “Resumos Jurídicos”, indicado para alunos dos cursos superiores de Tecnologia, Sociologia, Direito, Administração de Empresas e Relações Internacionais. Embora o livro tenha caráter didático – visa principalmente levar conhecimento a quem vai prestar concursos para delegado, promotor, e mesmo o exame da OAB -, é possível conhecer um pouco do que pensa o professor sobre o atual sistema capitalista, e também “passear” pelas teorias dos grandes pensadores da Sociologia. Na crítica ao Capitalismo, o judiciário aparece como um dos alvos, embora o capítulo que aprofunda as observações de Criniti a respeito tenha sido vetado pela editora.

O livro, um estudo sintetizado na área jurídica com abordagem sociológica, remete às teorias de Durkhein, Max Weber e Karl Marx, citando as lutas de classe e a manutenção sutil das desigualdades sociais. Mesmo tendo tido o capítulo específico vetado, o professor não poupa críticas ao judiciário. “É estatístico. Boa parte dos julgadores decide de uma forma classista as causas jurídicas. O judiciário se presta a julgar as causas das classes abastadas favoravelmente a elas”, dispara o professor.

Mas nem tudo é crítica: Criniti faz propostas que poderiam alterar este estado de coisas. Entre elas está uma formação jurídica mais crítica e humanista nas faculdades de Direito; a valorização do debate político que conduza à melhor dotação de recursos humanos aos tribunais, de gente efetivamente preparada; a busca constante pela brevidade dos trâmites judiciais; critério de contratação de juízes por idade, no caso, um patamar que privilegie os candidatos com mais experiência, e, finalmente, julgamento efetivo, e não pragmático, das causas judiciais, considerando os valores humanos envolvidos, que deveriam se sobrepor à tão conhecida burocracia.

“Descartabilidade”

No capítulo 21, o professor aborda o conceito da ‘descartabilidade’. “Hoje, ele está muito presente nas relações humanas. O materialismo faz com que o ser humano seja visto como algo descartável e trate os outros da mesma forma”, afirma Criniti. A tecnologia, diz ele, torna frias as relações. “As pessoas atendem você olhando para a tela de um monitor, ou com um fone de ouvido, ou um ponto. Não há o contato olho no olho, não há foco no diálogo. E com isso vão se perdendo relações importantes, na vida e mesmo nos negócios”, enfatiza.

O professor recomenda a leitura de seu livro aos alunos da Fatec. “O tecnólogo precisa entender que as relações humanas hoje estão conflitantes e descartáveis. Minha expectativa como professor é que o aluno possa buscar nas ciências humanas, por exemplo a Sociologia, subsídio para entender essa situação social. Com isso, o aluno consegue perceber e assimilar que as relações humanas são fundamentais”, explica Criniti. “Oportunidades não voltam; relações de trabalho, interpessoais, familiares, todas elas deveriam ser permeadas da sensibilidade no trato com o humano. O tecnólogo pode adquirir minimamente (embora eu não tenha esta pretensão com o livro) uma maneira mais adequada de se relacionar com o aspecto humano”, completa.

A obra deverá ser reeditada, desta vez sem cortes, mas ainda não há data definida. Enquanto isso não acontece, vale a pena adquirir o livro atual, que custa R$ 20. Criniti leciona às quartas-feiras na Fatec Indaiatuba, e também pode ser contatado pelo e-mail roberley.criniti@ig.com.br.

Currículo
Formado em Direito, Criniti é doutor em Sociologia pela USP e especialista em Direito Processual Civil pela Universidade Mackenzie; em Gestão de Negócios Internacionais pela FAAP, e em Teorias da Comunicação pela Faculdade Casper Líbero. Ele leciona há 15 anos, já tendo passado pelas faculdades São Judas, Metropolitanas Unidas, São Marcos e Belas Artes em São Paulo. Atualmente, é professor nas Fatecs São Paulo e Indaiatuba, onde leciona nas disciplinas de Gestão de Negócios Internacionais, Teoria das Relações Internacionais, Direito do Trabalho, Relações Econômicas Internacionais e Teoria Sociológica da Comunicação.

Luciene Santos Telli
Assessoria de Imprensa da Fatec Indaiatuba

 

 

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