julho/2008 - Há quem ainda torça o nariz quando o assunto é um Curso Superior Tecnológico, por considerar que são cursos inferiores ou aquele que requer pouca capacidade intelectual. Infelizmente erra feio quem pensa assim, mas a razão de todo esse preconceito com estes cursos se deve ao fato do não conhecimento de sua estrutura e seu objetivo.
Os Cursos Superiores Tecnológicos (CST) tem como objetivo formar profissionais aptos a desenvolver de forma plena e inovadora as atividades de um determinado eixo tecnológico e com capacidade de utilizar, desenvolver ou adaptar tecnologias com a compreensão crítica. Estes cursos desenvolvem profissionais de perfis amplos, com capacidade de pensar em forma reflexiva, com autonomia intelectual e sensibilidade ao relacionamento interdisciplinar, que permita aos seus egressos prosseguirem seus estudos em nível de pós-graduação. Em outras palavras o CST alia o conhecimento às necessidades do mercado.
Estes cursos são constituídos de cultura, historicidade, atualidade e ética, tendo em vista o desenvolvimento social, integrado e sustentável da sociedade brasileira e a soberania nacional.
A grande vantagem do CST é o tempo de duração do curso, que em geral é de 2 a 3 anos, o que pode significar economia de tempo para aqueles que querem uma entrada mais rápida no mercado de trabalho, outra característica importante é o foco específico do curso onde o profissional estará certo de sua área de atuação.
A oferta de cursos tecnológicos superiores reflete a necessidade da sociedade, portanto sua denominação, carga horária, perfil do profissional egresso pode variar de uma região para outra do país, levando em consideração a vocação regional.
No começo da década houve um "boom" de CST oferecidos por instituições de ensino superior (IES) privadas em todo país, e para conter os abusos cometidos por algumas IES o Ministério da Educação criou o Catálogo Nacional de Cursos Superiores de Tecnologia responsável por organizar e orientar a oferta destes cursos.
O Catálogo contempla as áreas de formação tecnológica em Agropecuária e Recursos Pesqueiros, Comércio e Gestão, Artes, Comunicação e Design, Construção Civil e Transportes, Lazer, Desenvolvimento Social e Turismo, Indústria, Química e Mineração, Informática e Telecomunicação e Meio Ambiente e Tecnologia de Saúde. Os cursos existentes que não se encaixam nessas áreas e nomes definidos pelo MEC devem mudar o currículo ou ficarão como cursos experimentais, até obterem "densidade tecnológica", ou seja, serem aperfeiçoados até justificarem a criação de uma nova denominação.
A listagem de cursos apresentada neste Catálogo não esgota a possibilidade de novos cursos oferecidos no país, existe a possibilidade de inserção de novos cursos em experimentação que poderão futuramente integrar este Catálogo. Um Curso Superior Tecnológico também pode alterar sua denominação desde que ele cumpra com todas as adequações pertinentes ao Catálogo Nacional.
Para aqueles que se interessam e fazer um Curso Superior Tecnológico e não quer correr o risco de fazer um curso sem a certificação do MEC, é aconselhável pesquisar no site da instituição se existe menção a validade dos atos legais de autorização, reconhecimento ou renovação de reconhecimento que o regulam. A validade de um diploma de CST não está relacionada com a denominação do curso no Catálogo, portanto não se desespere se não encontrar referências de seu curso no Catálogo.
Estudos baseados no desenvolvimento da educação superior no Brasil mostram que menos de 1% dos estudantes buscam os cursos tecnológicos, e de certa forma isto é ruim para o desenvolvimento do país, pois nos países desenvolvidos o índice é de 29%. Segundo uma pesquisa divulgada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em novembro de 2007, a indústria nacional não encontrou trabalhador qualificado para uma em cada quatro vagas abertas neste ano de 2007, principalmente entre pessoas com até 13,1 anos de estudo. É nesse perfil que se encaixam aqueles que cursam o ensino superior de curta duração.
Críticas à parte, tanto o Governo federal como o estadual pretendem ampliar a rede de educação tecnológica, aumentando o número de escolas e conseqüentemente o de vagas em todo o país, o que pode ser um bom motivo para começar a se pensar melhor nesta possibilidade, não?
VÍDEO: O Prof. João Mongelli Neto fala como funcionam os cursos
tecnológicos e também sobre o vestibular 2008/2 das FATECs. Confira!
Fonte:
Ministério da Educação : www.portal.mec.gov.br/setec
e site Seja Bixo - http://www.sejabixo.com.br