Tecnólogo tem emprego certo
Levantamento do Centro Paula Souza mostra que 93% dos formandos de 2007 foram contratados
MARIA REHDER
Diploma na mão, emprego garantido. Essa é a realidade dos alunos que concluem o ensino superior nas Faculdades de Tecnologia do Estado de São Paulo (Fatecs). Levantamento feito pelo Centro Paula Souza, responsável pelas instituições, mostra que 93,2% dos que se formaram em 2007 estão trabalhando. Deles, 60% em empresas de grande e médio porte.
A área com maior índice de empregabilidade é Tecnologia da Informação (TI): 96,7% dos que concluíram em 2007 o curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas estão inseridos no mercado de trabalho.
Dentre as carreiras oferecidas pelas Fatecs, são 45 no Estado, com maior concorrência no vestibular também se destaca a área de TI com, com o curso de análise e desenvolvimento de sistemas: 15 candidatos por vaga.
A carreira de tecnólogo, como é chamado o profissional que se forma nas Fatecs, tem duração de três anos e garante ao aluno um diploma de ensino superior. A principal diferença entre essa formação e as oferecidas nas universidades é que, no caso das Faculdades de Tecnologia, a graduação é voltada especificamente para a atuação no mercado de trabalho.
Hoje, 74% dos alunos formados na Fatec fizeram o ensino médio em escolas públicas
Em sua maioria, o currículo dos cursos ministrados nas Fatec são elaborados em parceria com representantes do setor produtivo, oque prepara o profissional para atender necessidades específicas das empresas da área em questão. Outro fator que contribui para a alta empregabilidade é o alinhamento da área abordadas nos cursos com os segmentos das companhias próximas às faculdades.
Esses diferenciais levam os chefes dos departamentos de recursos humanos das grandes empresas a assediarem os profissionais antes mesmo que eles concluam o ensino superior. "Não há dúvidas de quea demanda émuito grande por tecnólogos, porque o bacharel tem uma formação da ciência enquanto o tecnólogo é preparado para a atuação prática", afirmou o conselheiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos(ABRH)Walter Sigollo, que também é superintendente de RH da Sabesp.
Uma formação de tecnólogo, entretanto,nãosubstituium profissional com diploma universitário. "São duas coisas diferentes. As empresas não buscam tecnólogos para substituir os bacharéis. A procura é grande por esses profissionais pelas características que apresentam", avaliou Sigollo.
Escola particular X pública
Segundo a superintendente do Centro Paula Souza, Laura Laganá, apesar da alta empregabilidade, o grande desafio das Fatecs é conseguir atrair os alunos que cursam ensino médio em escolas particulares. Hoje, de acordo com o levantamento da entidade, 74% dos tecnólogos formados nas Faculdades de Tecnologia são oriundos de instituições públicas. Uma das possíveis explicações é que, atualmente, as Fatecs oferecem um acréscimo de 10% na pontuação do vestibular para os alunos que concluíram o ensino médio em escolas públicas.
Laura destaca, porém, o fato da sociedade ainda desconhecer que a Fatec oferece aos estudantes o Diploma de ensino superior. Além disso, as pessoas têm pouco conhecimento boas oportunidades profissionais desta área e as perspectivas positivas de empregabilidade no futuro. "É preciso divulgar isso para os jovens, pois a família ainda quer o filho em uma universidade por não ter conhecimento do valor do diploma de tecnólogo", disse a superintendente do Paula Souza.
Os estudantes têm três opções de cursos de ensino superior que oferecem diplomas diferentes: o de bacharel, o de licenciatura (que forma professores) e o de tecnólogo.
Além do tipo de formação do currículo de tipo de curso, outra diferença é a carga horária. "Nada impede que as universidades ofereçam cursos tecnológicos. A diferença é que, neste caso, a duração é menor e a carga horária dá mais ênfase à formação prática, e não mais geral como é feita nos cursos universitários tradicionais", disse Laura.
Curso de tecnologia abre portas para o mercado
Abdicar do ingresso no curso de engenharia em uma universidade pública para cursar edificações na Fatec-São Paulo foi um tiro certeiro. Essa afirmação é do tecnólogo Júlio Manoel Custódio Corrêa, que, aos 28 anos, já ocupa um cargo de chefia em uma empresa da área de construção industrial, além de prestar serviços de consultoria para empresas de grande porte como Vale do Rio Doce, Votorantim Celulose e Volkswagen.
Após três anos da conclusão do curso de edificações, Corrêa lembra que quando ainda freqüentava a faculdade as propostas de trabalho na área de edificações começaram a surgir. "Eu queria trabalhar na área da construção civil, mas não quis fazer engenharia porque a formação era mais geral. Optei pelo curso mais técnico para me especializar de fato em uma área e, logo, as propostas de estágios surgiram", contou.
Elizabeth Paixão Chaves, de 25 anos, se formou no ano passado, também em edificações na Fatec São Paulo, e hoje trabalhava em uma empresa de engenharia de médio porte. "Há muito engenheiro que pergunta as coisas para nós, tecnólogos, mas na prática um engenheiro ainda ganha mais que tecnólogo", afirmou.
Diploma de ensino superior
A recém-formada considera a possibilidade de fazer uma pós-graduação na área. A formação permite que o tecnólogo avance na carreira acadêmica, já que possui diploma de ensino superior.
"Temos um intenso programa de iniciação científica nas Fatec e muitos dos nossos alunos têm sido aceitos em pós-graduações de excelência, em instituições como ITA e USP", ressaltou Luciana Reyes Pires Kassab, diretora da Fatec-São Paulo.
Dos cerca de 200 professores da unidade da Fatec-SP, 21% são doutores e 35% são mestres.
Fonte:
Clipping Eletrônico do Centro Paula Souza