São Paulo expande Fatecs


Até 2010 devem ser criadas outras 13 Fatecs, somando 52 escolas de nível superior profissionalizante

19/09/2008 - Um dos destaques na formação de tecnólogos são as Faculdades de Tecnologia (Fatecs) do Estado de São Paulo. Administrada pelo Centro Paula Souza, órgão ligado à Secretaria Estadual de Desenvolvimento, a rede está em pleno processo de expansão. Em menos de dois anos, o atual governo implantou 13 novas unidades, chegando a 39 Fatecs em todo o Estado. Até 2010 devem ser criadas outras 13, somando 52 escolas de nível superior profissionalizante. "A implantação de novas unidades obedece a critérios estritamente técnicos. A iniciativa pode partir dos Estados, dos municípios ou de empresas interessadas em realizar parceria para a estruturação de uma nova unidade", segundo o responsável pela Assessoria para Assuntos de Educação Superior, professor Ângelo Cortelazzo.

Para atender à alta demanda das regiões mais desenvolvidas do Estado, o Centro Paula Souza também está ampliando as Fatecs existentes. "A unidade de Americana tinha 240 vagas e foi para 520 este ano. Já a Fatec Sorocaba está passando de 200 para 400 vagas", explica o professor.

Atualmente, as Fatecs oferecem 36 cursos de tecnologia nas unidades distribuídas em 37 municípios do Estado. Segundo Ângelo Cortelazzo, os cursos são criados de acordo com a demanda regional. "Está previsto para São Sebastião, litoral norte do Estado, a implantação de um curso ligado ao petróleo e ao gás natural, de que ainda não existe nenhum".

São Paulo iniciou a expansão da rede pública a partir de 2000, quando começou a sentir a falta de mão-de-obra especializada devido ao desenvolvimento econômico do Estado. Segundo o professor Ângelo Cortelazzo, o Estado pretende se aproximar dos níveis de formação em cursos tecnológicos de países desenvolvidos, que chegam até 50%, enquanto o Brasil forma cerca de 2% de alunos nessa modalidade de ensino. "São Paulo já percebeu que os cursos de bacharelado, mais generalistas, são necessários também, mas não são a única forma de ensino superior."

Para o professor, a maioria dos Estados ainda insiste nos modelos de expansão ligados à área dos cursos mais tradicionais, e esses cursos tendem a formar um profissional que precisa de adaptação ao setor produtivo para poder ser aproveitado.

A empregabilidade para os estudantes formados pelas Fatecs é alta: 92% dos alunos das faculdades estaduais são empregados em sua área até um ano após a conclusão do curso, segundo último relatório do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI 2007). O desafio é conquistar uma vaga nessas unidades. Alguns cursos chegam a mais de 20 candidatos por vaga, como é o caso de quem pretende cursar Análise e Desenvolvimento de Sistemas, no período noturno, da Fatec de São Paulo.

Mesmo com a conclusão da expansão das Fatecs, o professor acredita que a demanda pelos cursos não será reduzida. Isso porque, para ele, as pessoas estão começando a descobrir os cursos tecnólogos agora. Até o final de 2010, as Fatecs deverão oferecer cerca de 20 mil vagas por ano aos interessados pelos cursos superiores de tecnologia

DEZ CURSOS MAIS PROCURADOS NO VESTIBULAR DA FATEC PARA O 1º SEMESTRE DE 2008

FATEC
CURSO
PERÍODO
DEMANDA
São Paulo
Análise e Desenvolvimento de Sistemas
Noite
22,8
São Paulo
Análise e Desenvolvimento de Sistemas
Manhã
17,7
Baixada Santista
Logística e Transportes
Noite
17,5
São Paulo
Automação de Escritórios e Secretariado
Noite
17,0
São Paulo / Zona Leste
Informática para a Gestão de Negócios
Noite
16,7
Carapicuíba
Logística e Transportes
Noite
15,3
São Paulo / Zona Leste
Logística e Transportes
Noite
14,1
Sorocaba
Mecânica, Modalidade Processos de Produção
Noite
14,0
São Paulo / Zona Sul
Informática para a Gestão de Negócios
Noite
13,4
São Paulo
Mecânica, Modalidade Processos de Produção
Noite
12,8

Portos e Petróleo impulsionam criação de cursos

A população de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, vive a expectativa da ampliação do porto da cidade e da instalação de um campus da Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), a primeira da região. Está previsto que lá será dado o curso de tecnólogo em Gestão Portuária. Já existem cursos semelhantes em Santos e no Guarujá, cidades que ficam próximas ao Porto de Santos, o maior do país. Em Itajaí (SC), outra cidade com um porto importante, além da Gestão Portuária, existe também o curso de Construção Naval.

Em São Sebastião, já funciona o maior terminal marítimo de petróleo do hemisfério sul, operado pela Petrobrás. Além disso, o alcoolduto planejado pela estatal para o transporte de etanol deve passar por lá. A previsão é que sejam escoados para o terminal oito bilhões de litros do combustível por ano. Apesar de estar no mesmo complexo, o porto é bem menor e por lá não passam mais que 500 mil toneladas de carga por ano.

Para Jônatas de Pinho Vieira, gerente-geral do Órgão Gestor de Mão-de-Obra (Ogmo) do porto de São Sebastião, a importância do curso vai depender de sua ampliação. "Aqui, temos 150 trabalhadores registrados apenas e o porto depende muito do maquinário dos próprios navios para a carga e descarga", explica.
Ele faz ainda outra ressalva: não adianta formar gestores se não forem aprimorados os cursos de formação para os funcionários de pátio dos portos. " Em muitos casos, as operadoras estão contratando os trabalhadores pela CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) para poder investir em treinamento para eles em máquinas pesadas e de alta tecnologia até mesmo no exterior", afirma. Os trabalhadores do porto são geralmente ligados ao Ogmo e trabalham por escala, sendo contratados por serviço. A Fatec já havia criado, por exemplo, dois cursos na cidade de Jaú, no interior paulista, relacionados à Hidrovia Tietê-Paraná. Lá, os cursos são de Construção e Manutenção e Operações e Administração de Sistemas de Navegação Fluvial.

As reservas de gás e petróleo da bacia de Campos, no norte do Rio de Janeiro, fizeram com que o Estado tenha mais de 30 opções de cursos superiores de tecnologia nesse ramo. Muitos deles são oferecidos na região Norte do Estado e na Baixada Fluminense, pólos de produção e refinarias. O Rio é o terceiro Estado em metros cúbicos de petróleo refinado no país, atrás de São Paulo e da Bahia, segundo dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP). Mas, ainda segundo dados da ANP, em 2006 o Estado tinha 75% das reservas de petróleo em operação do país.

Fonte:

Clipping Eletrônico do Centro Paula Souza
www.centropaulasouza.sp.gov.br

 

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